Passagem vocal

 


Das notas mais baixas às mais agudas, a voz deveria ser uma coluna homogênea. Isto é difícil por causa das passagens vocais que, no caso da voz masculina é muito acentuada, em torno das notas ré, mi e fá da 4ª escala.

 

Durante a passagem, ocorre a "cobertura da nota" e, quem escuta tem a sensação de que o som fica encoberto, mais fechado e menos vibrante. A observação direta das pregas mostra que na passagem estas ficam menos tensas, perdem o aspecto arqueado e parecem um pouco mais longas do que antes. A amplitude da vibração diminui, o que explica a perda de amplitude sonora. Os 2/3 anteriores vibram e o 1/3 posterior não vibra ou vibra menos.


Na passagem, em torno da nota mi da 4ª escala, os músculos cricoaritenóideos laterais contraem. Na realidade, como já vimos, hà um estiramento extra das cordas vocais. A homogeneização sonora é tão difícil que alguns cantores não cobrem a voz, por um ato voluntário continuam a cantar com voz aberta e, geralmente, arruínam seu patrimônio. É sempre preferível cobrir o registro agudo embora haja uma quebra na uniformidade sonora.

 

Assista o vídeo:

 

 

Chamou-se a atenção para os sons coberto e aberto na palavra finalmente cantada pelo barítono Tagliabue, que emite a nota aguda coberta e abre sobre a sílaba final.

 


A passagem sonora também pode ser escutada na gravação de Mário del Mônaco.

Mario del Monaco (1915-1982).
(Exultai! O orgulho mulçumano está sepulto no mar
Nossa e do céu é a glória!
Além das armas o venceu o furacão).


A palavra exultate é emitida aberta, ja l'orgoglio é coberta. Pode-se ouvir que todo registro agudo é coberto e, na última palavra uragano, quando a voz desce na última sílaba, o som passa de fechado a aberto.

Opera: Otello
Autor: Giuseppe Verdi
Interpretação: Mario del Monaco

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